Odontologia

 

O que é?

 

    É a área da medicina onde, através dos conhecimentos relativos à sua estrutura dentária, se consegue obter uma identificação dos cadáveres ou a identificação de agressores através das marcas de dentada.

    Tal como os ossos, os dentes são fundamentais à identificação médico-legal. Mas, ao contrário destes, os dentes possuem uma grande resistência (graças à sua estrutura, composição e posição - protegidos pela bochecha, lábios e língua) o e uma enorme especificidade.

 

 

 

 

 

     Os dentes são os componentes mais resistentes do nosso organismo, sendo que, em casos de carbonização são os únicos elementos presentes úteis para análise.

 

    É possível obter características individualizantes se forem achados no local do crime muito poucos dentes. E mesmo quando a vítima não tem dentes, ainda pode ser retirada informação útil do estudo das dentaduras e do uso do raio-X feito aos maxilares e ao crânio.

 

 

 

    Há também uma outra forma de identificação, através de marcas de dentadas - impressão causada pelos dentes ou por partes da boca.

 

 

    É usual o uso dos dentes como arma quando uma pessoa ataca outra ou quando a vítima do ataque se tenta defender, fazendo com que seja então possível a identificação do possível atacante. É importante que os odontologistas forenses sejam procurados desde cedo, de modo a reduzir o trabalho da polícia na investigação.

 

Importância da Odontologia Forense:

 

·         Método seguro.

·         Muito útil quando se trata de um corpo carbonizado.

·         Grande valor da ficha odontológica.

·         Identificação de indivíduos

 

 

Objectivos da Odontologia Forense:

 

·         Identificação de um humano através do registo dental (determinação do sexo, idade, raça e altura de um indivíduo);

·         Análise das dentadas encontradas na vítima ou agressor, em madeira, comida ou pele;

·         Apresentação das marcas de dentadas como uma prova no tribunal;

·         Assistência na construção do estilo de vida e da dieta da vítima.

 

                 

 

    Ø Determinação do sexo: É a primeira coisa a reconhecer. Baseada na análise dos incisivos centrais superiores. Nos homens são mais volumosos, nas mulheres têm o diâmetro menor.

 

    Ø Determinação da raça: Analise baseada nos molares e as suas cúspides (extremidades dos dentes).

 

    Ø Determinação da idade: A arcada dentária é o melhor indicativo de idade. Os resultados só são precisos até aos 16 anos pois as etapas de desenvolvimento (substituição da dentição e formação de raízes) são iguais.

 

    Ø Determinação da altura: Determina-se o arco de circunferência (dos incisivos ao canino) e através de uma fórmula, obtemos entre que valores varia a estatura da pessoa. A estatura máxima corresponde á medida do arco, a estatura mínima corresponde ao raio corda inferior.

 

  

Técnicas: 

·     Caso existam dentes no local do crime, seguem-se os seguintes passos:

 

    - Verificar se é um dente de leite ou definitivo;

    - Identificar a que grupo pertence (incisivos, caninos, pré-molares ou molares);

    - Reconhecer se pertence ao maxilar superior ou inferior;

    - Proceder ao estudo quanto à sua posição: arco central ou lateral.

 

    O estudo dos dentes, quando estes ainda se encontram no cadáver é mais simples quando se trabalha com ossadas pois podem-se estudar os maxilares (arcos ósseos) separadamente. Quando se trata de um cadáver fresco, deverá proceder-se à sua remoção para facilitar o manuseio.

 

·         Se houver sinais de mordida procede-se à sua análise que se baseia nos factos:

 

    - Os dentes humanos são únicos;

    - Existem detalhes suficientes dessa singularidade na marca de mordida.

 

 

A análise das marcas de mordida assenta nos passos:

 

·         Obtenção da evidência a partir da vítima: Para uma correcta análise, devem ser incluídas todas as características da dentada (localização; tamanho; forma; orientação; cor; tipo de lesão, saliva depositada quando produzida e, se possível, qualquer impressão digital encontrada.

·         Obtenção da evidência a partir do suspeito: é feita análise das estruturas dentárias dos suspeitos através de moldes de gesso.

·         Comparação da evidência. A partir dos moldes obtidos, são feitas sobreposições fotográficas com visa a estabelecerem-se comparações.

 

 

 

Ficha odontológica para identificação forense:

    Numa boa ficha odontológica, devem constar os seguintes tópicos:

 

·         Sistemas de numeração das peças dentárias;

·         Diagrama para o registo das particularidades morfológicas de cada dente;

·         Um formulário de achados dentais;

·         Um local de registo de características odontológicas de interesse (radiografias, restaurações, etc.).

 

Sistemas de numeração das peças dentárias

    O mais usado é o "sistema de dois algarismos". Neste sistema, representam-se os dentes por um par de números. O primeiro número, indica à qual dos quadrantes pertence (na dentição definitiva, varia entre 1e4; na temporária-5a8) a peça dentária, o segundo indica qual é o dente (dentição definitiva, representa-se de 1 a 8,sendo o número 1 o incisivo central; na temporária: 1a5)

 

 

Diagramas

    Os modelos mais usados são o sistema lineal, e o sistema em forma de arco. Nestes sistemas, os dentes representam-se de forma esquemática onde constam tratamentos odontológicos respectivos a cada dente. Diagrama usado pela Interpol:

 

 

 

Formulário de achados dentais

 

    É o local onde devem constar todas as observações quanto à marcação. Neste formulário,

    ¬ Todas as peças dentárias perdidas em vida marcam-se com um X grande.

    ¬ Todas as peças dentárias perdidas depois da morte marcam-se com um círculo.

    ¬ Em caso de restaurações, usa-se a cor preta para marcar amálgamas, a cor vermelha para indicar trabalhos feitos em ouro, e a cor verde para os materiais polimerizados.

    ¬ As cáries marcam-se com "x" pequenos situados na face que as contêm.

 

Secção para características especiais

 

    É o local onde são anotados todos os trabalhos odontológicos de interesse especial para a identificação, bem como fazer constar radiografias "intra vitam" e "post mortem" e outras informações que se tenham levantado.