Genética e Biologia
O que é?
A genética e biologia forense é uma das áreas da ciência forense, que utiliza os conhecimentos e as técnicas de genética e de biologia molecular, para apoiar e auxiliar a justiça a deslindar casos sob investigação policial e/ou do Ministério Público. Esta área é também conhecida como DNA Forense.

O DNA como instrumento de identificação humana pode ser utilizado em diversas situações, tais como:
• Na identificação e vinculação de suspeitos ao crime;
• Na distinção de crimes isolados de crimes em série;
• Para inocentar pessoas falsamente acusadas;
• Na identificação de restos mortais.

Em que consiste?
A actividade desta área consiste:
• Na recolha de vestígios orgânicos encontrados no local do crime como: fragmentos de pele, pêlos e cabelos do agressor, manchas de sangue, sémen, dentes, ossos, saliva e urina (que podem ser recolhidos nos mais diversos tipos de substratos como roupas, garrafas, talheres, pontas de cigarro e preservativos.)
• Na análise dos mesmos, elaborando-se relatórios para apreciação dos tribunais.
Objectivos:
• Identificação genética no âmbito da criminalística biológica;
• Identificação biológica de parentesco (casos de filiação);
• Identificação genética individual (identificação de um corpo ou fragmentos de um corpo).

Vantagens da análise forense por DNA
• Pode ser feita em qualquer fonte de material biológico.
• Sensibilidade do exame.
• Estabilidade perante aos factores ambientais devido à robustez da molécula de DNA e à sua resistência a ácidos e bases.
• Possibilidade de separar o DNA de uma célula espermática de qualquer outro DNA celular, o que acontece nos casos de violação onde há presença de sémen e outros líquidos corporais.
Factos históricos:
• A Genética e Biologia Forense nasce quando se começam a realizar testes de paternidade com o objectivo de apoiar a justiça.
• Em 1980 descobrem-se regiões do DNA, capazes de individualizar uma pessoa.
• Depois da descoberta dos grupos sanguíneos, este factor foi utilizado em exames de paternidade. (exemplo: um pai O não poderia ter um filho AB).
• Em 1984, em Inglaterra, o médico Alec Jeffreys, elaborou um método para identificar as pessoas através de fragmentos do seu material genético.
• Em 1985, no Reino Unido, foi pela primeira vez efectuada a análise do DNA com aplicação médico -legal.
• Em 1988 o FBI realiza casos através do DNA.
• Na década de 90,houve uma grande a evolução tecnológica e científica que levou à popularização da técnica da PCR e um desenvolvimento de técnicas cada vez mais sensíveis, capazes de identificar a origem de amostras biológicas com pouco DNA.
• Dentro de poucos anos, os cientistas esperam obter a partir do material genético dados sobre a aparência de um suspeito que permitam montar um retrato fiel.
Em Portugal:
Devido aos avanços científicos, esta área tem-se desenvolvido bastante em todo o mundo. Em Portugal há inúmeros laboratórios que realizam testes de paternidade, exames de identificação genética, etc.
Como funciona:
A resolução dos casos relacionados com esta área, assenta na individualidade biológica de cada indivíduo fundamentando-se na exclusividade, na igualdade e invariabilidade da molécula do DNA, presente em todas as células de um organismo.
O DNA é único para cada ser humano! O indivíduo fica perfeitamente identificado através do estudo da sua molécula em qualquer vestígio biológico que lhe pertença.
Os laboratórios de DNA forenses, são voltados para elucidação de delitos e identificação de pessoas. A sua metodologia envolve as seguintes etapas:
• Recolha dos materiais: a quantidade, exactidão e fiabilidade dos resultados dependem de procedimentos que devem ser rigorosamente adoptados, desde o isolamento do local do delito e do levantamento das amostras biológicas que são encaminhadas para o laboratório.
• Extracção do DNA: há uma extracção do ADN proveniente do núcleo das células. Porém, quando as amostras são escassas em material genético proveniente de células nucleadas, procede-se alternativamente à analise do DNA mitocondrial.
• Quantificação do DNA: obtenção de parâmetros para balanceamento químico da etapa posterior.
• Amplificação do DNA: através da PCR (Reacção em Cadeia da Polimerase) que proporciona filamentos replicados de DNA, úteis à investigação. Através desta amplificação das sequências da molécula torna-se possível a visualização dos vários polimorfismos do DNA.
• Análise Comparativa do DNA das Amostras.
• Cálculos estatísticos, feitos através do princípio de Hardy-Weinberg.
• Elaboração do Relatório: se o DNA do suspeito não coincidir com a evidência, teremos uma “exclusão”; se a interpretação do perfil falhar por alguma razão, diz-se que o resultado é ”inconclusivo”; se coincidir com a amostra, observa-se uma ”inclusão”.



-Para que o estudo do DNA em casos forenses tenha sucesso, é indispensável que as amostras biológicas no local do crime sejam correctamente identificadas, colectadas, embaladas, armazenadas e enviadas para o laboratório para estudo.
-O nível de sofisticação atingido pelos laboratórios permite determinar a composição e a origem de cabelos, tecidos, suor, grãos, sementes e até pólen de plantas encontradas na cena do crime – evidências úteis para descobrir os lugares por onde a vítima passou.
" A identificação positiva através do perfil de DNA é um facto. Não se trata de algo subjectivo ou influenciado pelas variações das emoções humanas"
Willian Sessions , director do FBI, 1989

